São Fidélis é um município do Norte Fluminense, no estado do Rio de Janeiro. Sua história começou por volta de 1780, com a chegada dos primeiros colonizadores à região habitada pelos indígenas Coroados e Puris. A cidade foi oficialmente fundada em 27 de setembro de 1781 e emancipada em 3 de dezembro de 1870.
Conhecida como “Cidade Poema”, São Fidélis deve esse apelido às suas belezas naturais e à tradição literária, abrigando a Academia Fidelense de Letras e um Festival de Poesia Falada anual. Sua população, segundo o Censo de 2022, é de 38.961 habitantes, distribuídos por uma área de 1.028 km². O município possui um IDHM de 0,691 e é dividido em cinco distritos.
A economia local é forte e diversificada, baseada na agropecuária e na policultura, com destaque para cana-de-açúcar, arroz, milho, tomate, banana e goiaba. O comércio, a indústria e a pesca também são representativos.
Banhada pelo Rio Paraíba do Sul e com excelente traçado urbanístico, a cidade atrai turistas com seus atrativos naturais e históricos. Os pontos turísticos incluem a Igreja Matriz de São Fidélis, a Ponte Metálica, o Parque Estadual do Desengano, além de serras e cachoeiras como a Cachoeira do Oriente e a Cachoeira do Salto.

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ADRIANA MORAES DE OLIVEIRA

Hoje prestamos uma homenagem especial à Adriana Moraes de Oliveira, uma mulher que dedicou sua vida à cultura, à educação, à assistência social e, principalmente, à transformação da vida de crianças e jovens por meio da arte e da dança. Nascida em São Fidélis, Adriana construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com sua cidade e com a comunidade. Durante muitos anos, atuou como Animadora Cultural do Estado do Rio de Janeiro, desenvolvendo um trabalho de grande importância social e cultural. Adriana exerceu sua função de Animadora Cultural em diferentes instituições de ensino, entre elas o CIEP, o Colégio Estadual de São Fidélis e o Colégio Estadual Barão de Macaúbas, espaços onde deixou sua dedicação, seu carinho e sua contribuição para a formação de muitas crianças e adolescentes.
Além de sua atuação na cultura, Adriana possuía uma sólida formação acadêmica. Era Assistente Social, formada pela Universidade Federal Fluminense – UFF, em Campos dos Goytacazes, e também Pedagoga pelo CEDERJ, unindo em sua trajetória a assistência social, a educação e a cultura. No ano de 2000, no Colégio Estadual Barão de Macaúbas, Adriana criou o Projeto Pátria Minha, com o objetivo de comemorar os 500 anos do Brasil. Para realizar o projeto, foi formado um grupo de dança que desenvolvia as coreografias e levava a arte para a comunidade.Foi assim que a dança passou a ocupar um lugar ainda mais especial em sua vida.
Adriana também foi idealizadora do Projeto Social Dançarte de São Fidélis, projeto que nasceu com o propósito de levar a dança para todos, proporcionando às crianças e aos jovens não apenas o aprendizado artístico, mas também disciplina, convivência, autoestima, amizade e novas perspectivas para o futuro. Em 2011, o Projeto Dançarte foi contemplado pelo Rio Solidário, em reconhecimento à iniciativa cultural desenvolvida no Estado do Rio de Janeiro.
Durante sua trajetória, Adriana demonstrou que seu trabalho ia muito além de ensinar coreografias. Ela se preocupava verdadeiramente com seus alunos,procurava conhecer seus comportamentos, sua realidade familiar, seus estudos e suas dificuldades, porque entendia que cada criança precisava ser vista e acolhida em sua totalidade. Seu projeto representava também uma importante ferramenta de inclusão e transformação social, ajudando crianças a encontrarem na dança um caminho de oportunidades e afastando muitas delas de situações de vulnerabilidade social.
Cada conquista era comemorada por todos: pelas crianças, pelos pais, pelos colaboradores e por todos aqueles que, de alguma maneira, ajudavam o grupo. Formava-se ali uma verdadeira família, unida pelo amor à dança. Em sua caminhada, Adriana também proporcionou aos seus alunos experiências que jamais seriam esquecidas. Teve a oportunidade de levá-los, por duas vezes, ao Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina, onde puderam ampliar seus conhecimentos, conhecer diferentes estilos e assistir a grandes bailarinos. Entre as referências da dança presentes nesse universo estava Ana Botafogo, que durante anos foi madrinha do festival e uma inspiração para inúmeros bailarinos.

Adriana carregava ainda um grande sonho: levar seus alunos para dançar nos palcos do Festival de Joinville. Esse desejo simbolizava tudo aquilo em que ela acreditava: que toda criança poderia sonhar, aprender, crescer e ocupar espaços que muitas vezes pareciam distantes de sua realidade.
Sua dedicação à dança também se refletiu em sua atuação profissional e representativa. Adriana era sindicalizada no Sindicato de Dança do Rio de Janeiro e fez parte do Colegiado Estadual de Dança, representando a Região Norte Fluminense. Dessa forma, sua contribuição ultrapassou os limites de São Fidélis, levando a voz e as necessidades da dança de sua região para outros espaços.
Uma vida dedicada a transformar vidas
Adriana faleceu em 02 de julho de 2024, aos 51 anos, deixando uma história de amor, dedicação e compromisso com a cultura, a educação e a transformação social. Sua partida deixou saudade em todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-la, mas seu legado permanece vivo.
Permanece em cada aluno que aprendeu com ela.
Em cada criança que encontrou na dança um novo caminho. Em cada família que acompanhou suas conquistas. Em cada projeto que ajudou a construir. Em cada palco onde seus alunos puderam mostrar aquilo que aprenderam. Adriana não ensinou somente dança. Ela ensinou a sonhar. Ensinou a acreditar. Ensinou a persistir. Ensinou que a arte pode transformar vidas.
Seu maior legado não está apenas nas coreografias que criou ou nos projetos que idealizou, mas nas vidas que tocou e nos sonhos que ajudou a construir. Hoje, a saudade se mistura à gratidão. Gratidão por seus anos de dedicação. Gratidão por seu amor pelas crianças. Gratidão por sua luta pela cultura e pela dança. Gratidão por tudo aquilo que fez por São Fidélis e pela Região Norte Fluminense. Adriana Moraes de Oliveira, sua presença se transformou em memória, mas sua história continuará sendo contada por todos aqueles que tiveram a felicidade de caminhar ao seu lado.
Que seus passos continuem vivos em cada dança, em cada criança e em cada sonho que nasceu através do seu trabalho. Adriana, você partiu, mas o seu legado continua dançando. E enquanto houver uma criança dançando, haverá um pouco de você entre nós.

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RONALDO DE SOUZA BARCELOS

A arte é forjada à alma, não se escolhe ser artista, você apenas nasce recebendo toda a energia do mundo de forma imensurável. Não foi diferente com Ronaldo Barcelos: a arte sempre esteve lá. Inconscientemente ele se encontrava com ela. Trocando olhares por umajanela. Em 1976, com dezoito anos, foi desenvolver um trabalho na Biblioteca e lá a literatura lhe roubou olhares mais curiosos. Aprofundou-se e mergulhou nos clássicos literários. Cada página lhe sorria como um novo cenário.

Não demorou a praticar teatro. Um tempo depois Rita Maria de Abreu Maia o levou para a Secretaria de Cultura. O ano de 2005 chegou com grande marco: a criação da Academia Fidelense de Letras. Ele estava lá como um dos seus fundadores visionários, mantendo viva a arte e seus sabores.

Ocupando a cadeira 38, representando, é claro, Castro Alves, o poeta dos escravizados que com o seu “Navio negreiro” encantou o agora confrade: “É aquilo” – assim descreve tal protesto dos mares.

Hoje ele é novamente o Presidente da A.F.L., após 21 anos da sua Fundação. À frente dos guardiões das letras, persistentes e sem teto, ele se empenha em manter viva a arte que corre pulsante nas veias da Cidade Poema. Também está à frente do Museu Corina Peixoto de Araújo, um lugar que reside em seu coração; casa que guarda a memória do município. Ronaldo ressalta que nada do que está ali vale a pena se não for compartilhado.

“A cultura é nossa carteira de identidade enquanto sociedade, enquanto pátria, enquanto vida” – afirma com garra o nosso poeta. Dono de uma palavra forte e coração gigante, hoje vive a arte em cada instante.

Além depoeta e guardião da cultura, traz belezas a cenários e dá vida a festas. Brincar de mesa posta foi só o início da orquestra.

A arte é vital para o ser humano. E sendo um humano, tão verdadeiramente humano, Ronaldo resgata cada gota de arte perdida, cada linha esquecida e faz lembrar-nos todos os dias que a arte precisa ser vista.

Sua voz ecoa para afirmar que a poesia não está perdida. Que a cultura da nossa terra ainda está viva. E com orgulho transbordando sempre afirma: somos a Cidade Poema! E quanto ele fez e faz todos os dias para manter vivo esse legado traçado desde os frades capuchinhos. Acho mais justo dizer que não existe Cidade Poema sem Ronaldo Barcelos.

(Texto Ana Rita Gonçalves – fragmentos)

Em breve…